O capitão português aponta o dedo diretamente a Jorge Jesus e sublinha que o selecionador lhe faltou à palavra por duas vezes.
O avançado começa por recuar ao Mundial 2026 e revelar que Pedro Proença, presidente da Federação Portuguesa de Futebol, lhe pediu que ponderasse continuar e lhe perguntou a opinião sobre o nome de Jorge Jesus para selecionador. “Respondi ao Presidente da Federação que, em minha opinião, seria a escolha certa. Por isso, no dia em que o atual Selecionador foi apresentado fiquei genuinamente feliz pela escolha”, atirou.
Cristiano Ronaldo detalha ainda que Jorge Jesus o contactou pessoalmente após as férias, numa reunião na Cidade do Futebol acompanhada por Simão Coutinho, diretor desportivo do Al Nassr. “O Selecionador disse-me nesse dia que contava comigo e que a minha presença era fundamental para o seu projeto. Apresentou-me, logo ali, um plano para a minha participação. Disse-me que jogaria o primeiro jogo e o último e que por razões de gestão física iria fazer sempre três a quatro mudanças por jogo”, partilhou.
O capitão nacional denuncia que foi apanhado de surpresa à hora de almoço do jogo com a Noruega. “Para minha absoluta surpresa, o selecionador perguntou-me se estava bem para jogar 30 minutos (…). Respondeu-me que então estivesse preparado porque jogaria 30 min”, sublinhou.
Mas o momento não aconteceu. “Aqueci desde o intervalo, vi os minutos a passar e não fui chamado. O Selecionador tinha-me falhado com a sua palavra”, atirou, assumindo depois a responsabilidade por não ter cumprimentado os adeptos no final do jogo.
Cristiano Ronaldo revela ainda que, 48 horas depois, teve uma conversa com Jorge Jesus e Simão Coutinho, na qual ficou acordado que o selecionador iria repor a verdade em conferência de imprensa. “Acabámos essa reunião com o Selecionador a pedir-me um abraço, a prometer-me que ia dizer na conferência o que acabara de me dizer a mim e que o assunto se ultrapassava”, contou.
A conferência, porém, não decorreu como combinado. “A postura não teve nada a ver com a nossa reunião, ouvi expressões e uma agressividade que julgo não merecer, uma atitude de quero, posso e mando que nunca me manifestou, nem de perto nem de longe, em privado, na véspera”, denunciou. “Era a segunda vez que me estava a faltar à palavra dada.”
Na carta, o capitão nacional pede desculpa aos companheiros de Seleção e aos portugueses pela saída, mas garante que não teve outra opção. “Para mim a verdade ainda é a coisa mais importante na relação entre as pessoas”, atirou.
Já a terminar, Cristiano Ronaldo deixa clara a sua disponibilidade para continuar a representar a Seleção Nacional. “Se estiver bem fisicamente, a jogar no meu clube, com golos espero, a seguir ao cumprimento da suspensão que me for aplicada, estarei disponível, como sempre estive até hoje, para competir e ganhar pela nossa Seleção. Esta é, acreditem, a mais pura das verdades”, concluiu.