Alexandre Monteiro, decifrador de pessoas, esteve no programa da SIC ‘Casa Feliz’ desta sexta-feira, 9 de outubro, à conversa com Diana Chaves e João Baião sobre a saída de Cristiano Ronaldo da Seleção Nacional e consequente polémica entre o jogador e Jorge Jesus.
O especialista em análise comportamental começou por realçar que o “desafio de um treinador” não é a tática, mas sim “gerir egos, seja o dele, seja o dos jogadores”.
“E aqui o desafio deles os dois é uma questão de ego, de um e de outro. Primeiro, porque são diferentes. Há vários tipos de ego, há o ego bom e o menos bom. Há o ego de construção que é ‘eu já atingi um patamar e uma autoridade que vou ajudar outras pessoas a serem melhores’, que é o ego de Jorge Jesus, e há o ego de deslumbramento, que é onde está o Cristiano Ronaldo”, referiu.
Alexandre Monteiro explicou de seguida os dois termos referidos: “O Cristiano deslumbrou-se, porque não é a construir, ele só fala de quem? Eu, eu, eu, eu! E o que é que acontece com esse ego de deslumbramento? Normalmente rodeia-se de pessoas bajuladoras, porque a pessoa que o ajuda, o alerta, ele expulsa essa pessoa ou demite essa pessoa. E então, rodeia-se desses bajuladores e então o que é que sai? Asneira”, deu conta.
O decifrador não se ficou porque e, confrontado com o facto de ser do “lado” de Jorge Jesus, acrescentou: “É uma questão de comportamento, porque é que a coisa não funciona. Porque até mesmo a nível de feitios (…). O Jorge Jesus é um autoritário, porquê? É tudo à maneira dele (…), conhecem-se há muito tempo, mas o feitio fica lá sempre, porque o autoritário primeiro é o resultado, depois é a amizade, então o que é que ele fez? Primeiro, considera o resultado da Seleção, onde quer que vá, o que é que vai construir e depois é que vem a amizade (…). O Cristiano, como é um expressivo, a pessoa quer ser única e especial, o que é que ele quer? Quer ser único e especial (…)”, realçou.
“Este expressivo, quando não é único e especial, entra em drama. E o drama o que é que é? Amuar, criticar, culpar. Porque se repararem, o Cristiano não tem culpa de ter abandonado, a culpa de quem foi? De Jorge Jesus. Ele só abandonou, porque Jorge Jesus não lhe deu a importância que ele tem”, concluiu.