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Sérgio Conceição fala da conversa com André Villas-Boas

Fica contente pelo título do FC Porto? “Porque é que faz a pergunta se fico contente? Às vezes criam-se narrativas erradas, falsas. O título do FC Porto foi totalmente merecido, da estrutura, do treinador. Dei os parabéns aos jogadores todos que tive a oportunidade de treinar, a pessoas dos departamentos. Fiquei contente, sim, pela época que fez, de ganhar um título que foi merecido. A minha ligação aos adeptos é umbilical. É tão forte. Pela quantidade de festas achei que os adeptos nem iam ligar ao que ia dizer e ia aproveitar esta entrevista para dar os parabéns pelo título conseguido.”

Fica contente pelo título do FC Porto? “Às vezes criam-se narrativas completamente erradas, falsas. O título do FC Porto foi um título merecido da estrutura, do seu treinador e, na minha ótica, dos jogadores. Eu tive a particularidade de parabenizar os jogadores todos que ainda tive oportunidade de treinar no FC Porto, pessoas que fazem parte ainda hoje dos diferentes departamentos. E fiquei contente, sim, pela época que o FC Porto fez, ganhando um título… um título que foi merecido por aquilo que fizeram. Alguém me perguntou isso, por dar os parabéns nas redes sociais ou não… A minha ligação aos adeptos é… umbilical. É tão forte… Depois do FC Porto ganhar o título e de, no fundo, parabenizar as pessoas que eu já frisei, achei que, pela quantidade de festas… os adeptos não iam ligar àquilo que eu ia dizer. Houve muita festa depois do título e eu sabia que ia dar esta entrevista e aproveitava esta entrevista para dar os parabéns ao FC Porto, sem dúvida absoluta nenhuma, pelo título fantástico conseguido.”

Saiu de uma forma merecida ou foi alvo de ter sido sempre muito ligado e próximo a Pinto da Costa? “A forma que eu gostaria de ter saído do FC Porto certamente era outra. Eu tenho de expressar o meu sentimento. Mas não era fácil também. Houve um quebrar de um ciclo muitíssimo importante na história do FC Porto, que foi do nosso Presidente durante 42 anos, o Presidente mais titulado do mundo. O meu, durante sete anos, o treinador mais titulado do FC Porto e do país. E não era fácil… e eu hoje compreendo e aceito que isso era necessário, haver essa tal transição.”

Mas na altura não aceitou? “Eu aceito… aceitei na altura também. Não sei se se lembram do dia 26 de maio, há dois anos, na final da Taça de Portugal. Estava o Presidente Pinto da Costa de um lado e estava o atual Presidente do FC Porto mais atrás, que eu puxei para levantar a Taça em conjunto. Naquele momento, não sabia se ia ficar ou não. Eu tinha assinado o contrato de quatro anos a dois dias das eleições, que foi muito criticado também por toda a gente. Eu, entretanto, dia 27, a equipa técnica toda de folga. Dia 28 fomos trabalhar, a equipa técnica no Olival, o plano de férias que damos normalmente aos jogadores, o relatório também que fazemos sempre no final da época. E no dia 29, em combinação com o André Villas-Boas, fui a casa do Presidente do FC Porto para falarmos um pouco daquilo que era a minha situação e daquilo que era o futuro próximo, no fundo, do FC Porto. E assim foi feito.”

Quando percebeu que Vítor Bruno era opção para assumir a equipa do FC Porto: “Acho que não me fica bem partilhar tudo aquilo que foi conversado entre nós. Acho que no geral, eu fui explicar o porquê de… se tivesse na situação dele também se calhar não gostaria muito que um treinador com sete anos de clube, ganhar aquilo que eu ganhei, com a ligação tão forte aos adeptos, tivesse de estar no lado, não é? Do adversário. E eu estive sempre à parte. Eu estive sempre à parte até ao dia… a dois dias das eleições, dois ou três dias das eleições. Foi quando fui convidado pelo Presidente Jorge Nuno Pinto da Costa a ir ao seu gabinete, onde já estava o Pepe presente, entretanto saiu e ele explicou-me o porquê da presença do Pepe, que tinha feito a sua renovação se ele fosse eleito ou reeleito Presidente do FC Porto, o Pepe continuaria com ele. E abriu um bocadinho aquilo que era o coração dele. Falou muito, de uma forma emocionada, da sua doença. Explicou-me a estratégia que tinha para os próximos anos do FC Porto. E eu, por amizade, por respeito, por gratidão… por gratidão… aceitei. E foi isso que eu fui explicar ao André Villas-Boas, dizer que a partir daquele momento o meu contrato ficava sem efeito porque aceitei renovar com o FC Porto com um Presidente. Eu não estaria… ou seja, como ele já não era o Presidente do FC Porto, tinha que respeitar. E se eu estivesse no lugar do André Villas-Boas também não tinha gostado muito. E estava a explicar o porquê. Eu percebi nessa conversa também com o Presidente André Villas-Boas que eu não fazia parte ou não era alguém visto para dar continuidade como treinador principal. E depois quando veio a conversa do futuro do FC Porto, de quem seria o sucessor…”

Quem seria o sucessor? “Para o treinador, sim. E foi aí que eu soube, percebi, entendi que o meu ex-adjunto seria uma solução.

Mas Vítor Bruno já tinha falado consigo sobre essa possibilidade? “Não. Tínhamos estado na noite anterior a jantar, um jantar de equipa que eu faço sempre no final do ano com a equipa técnica, e que disse que tinha ou que queria sair um bocadinho de ser treinador adjunto e eu achei muito bem, disse: “Ok”.

Mas nunca disse que ia ser treinador do FC Porto? “Não, não.”

Traição? “Não, aqui o ponto é… Aquilo que eu tenho a dizer é que depois de eu saber que alguém ligado ao FC Porto tinha falado com Vítor Bruno, aí a atitude, que alguns consideram deselegante, podemos adjetivar como quiseremos, pode ser traidora, pode ser… pode ser… Eu acho que isso faz parte do passado. Eu não guardo rancores.”

E como soube? “De forma direta, o resto da história, depois, as coisas não se passaram dessa forma. Quem não se sente não é filho de boa gente, como se costuma dizer. E eu sinto muito, principalmente pelas pessoas que gosto. Foi um percurso bonito durant muitos anos e as coisas deviam ser feitas de outra forma.”

Villas-Boas falou de si como um grande treinador do FC Porto: “É como falo dele, um treinador que foi um treinador ganhador, campeão da Europa, teve um percurso curto mas fantástico como treinador do FC Porto. Agora como Presidente, o primeiro ano não correu bem, foi uma transição muito difícil. E neste momento é um treinador que ganhou um campeonato nacional, um treinador que agora é Presidente e ganhou um campeonato nacional e está de parabéns por isso.”

Voltou a falar com Vítor Bruno? “Não voltei a falar.”

E não tenciona? “Não.”

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