Última hora! Rui Costa

Opinião de João Rosado. O Benfica está em terceiro lugar no campeonato e na planificação da nova época.
Ninguém desconhecia que era um “Oso” duro de roer e o jogo de ontem à noite confirmou-o em absoluto. O Sporting de Braga mostrou na Luz por que motivo merecia estar na final da Liga Europa e por que razão alguns dos seus jogadores são os grandes agitadores do mercado português.
A começar por Rodrigo “El Osito” Zalazar (filho de José Luis “El Oso” Zalazar, figura lendária do Albacete), poupado durante grande parte dos 90 minutos mas lançado a tempo de alimentar até ao último suspiro as aspirações do Sporting em terminar no segundo lugar. O internacional uruguaio terá sido gerido como se já fosse reforço leonino e ninguém ousasse colocar em causa os “exorbitantes” 30 milhões de euros exigidos por António Salvador.
São fortunas deste género que os presidentes dos três “grandes” têm de calcular quando começam a planificar os novos ciclos e a escolher as armas para usufruírem de supremacia sobre a concorrência, sendo determinante nessas compras a capacidade de antecipação.
A novela em torno do futuro de José Mourinho em nada ajuda o Benfica na corrida por um lugar privilegiado na grelha de partida para 2026-27, com as responsabilidades a serem repartidas por treinador e estrutura encarnada. Após vários episódios em que manifestou total predisposição para cumprir contrato e inclusive prolongá-lo “por 10 anos”, Mourinho dá sinais inequívocos de que o “não” a Florentino Pérez não passa de um “sim” que poderia rivalizar com o famoso grito de comemoração que tantas vezes Cristiano Ronaldo fez ecoar no Santiago Bernabéu.
Se não fosse tanto assim, o “Special Siiim” limitar-se-ia nas conferências de Imprensa a repetir o que teve oportunidade de exclamar na primeira vez que foi confrontado com o tema e jamais remeteria uma decisão para os 10 dias seguintes ao jogo com o Estoril.
Um pouco a fazer lembrar aquilo que aconteceu quando saiu do Fenerbahçe para substituir Bruno Lage, neste momento “Mou” parece destinado a regressar a um sítio onde sente que ficou algo por completar apesar de ter carimbado em Espanha um campeonato com mais de 100 pontos.
O desejo de se sagrar campeão da Europa ao serviço do Real Madrid permanecerá como uma meta, atrás da prioridade das prioridades, que passa pela eliminação do vírus da vedetice, tão revelador da incapacidade de Álvaro Arbeloa para liderar o balneário.
Para conseguir tudo isto ou pelo menos ter condições para concretizar esta dupla missão, o setubalense não pode adiar qualquer resposta ou pedir um prazo ao clube recordista de triunfos na Champions. Uma instituição da dimensão da dos “merengues”, mergulhada numa crise vergonhosa, está proibida de começar a pensar na revolução apenas e quando as datas do Benfica o permitirem.
Como é evidente, a próxima era do Real Madrid começou há algum tempo a ser arquitetada e o homem do leme está escolhido. Se Florentino Pérez estivesse a esta hora a fazer entrevistas para selecionar o treinador, o primeiro a descartar qualquer possibilidade de voltar seria José Mourinho, consciente de que os ponteiros do relógio correm de forma frenética a favor de um FC Barcelona que tem os olhos postos no tricampeonato.
E algo de muito semelhante acontece na Luz. Considerando o projeto vencedor do novo campeão nacional, os milhões que os dragões asseguraram via Liga dos Campeões e o investimento sem paralelo que se prepara em Alvalade (onde é que Frederico Varandas já viu isso..), tanto FC Porto como Sporting partem à frente do Benfica na planificação da época 2026-27… até pela simples circunstância de preservarem os respetivos timoneiros.
Rui Costa sabe que a presente indefinição só o diminui enquanto presidente. Na qualidade de responsável máximo e em nome de uma criteriosa preparação do enorme desafio que se segue, deveria em tempo oportuno ter renovado o contrato com Mourinho.
Na atual conjuntura, essa margem de manobra perdeu-se. “Obviamente, demito-o”, é o que Rui Costa pode dizer agora, pagando o preço de se assumir como um general sem medo e apenas um décimo do valor pelo qual está anunciada a transferência de Rodrigo Zalazar.



