Benfica

João Diogo Manteiga reagiu a proposta de reforma do Benfica na arbitragem

João Diogo Manteigas, um dos derrotados nas mais recentes eleições no Benfica, reagiu, com uma publicação no LinkedIn, à proposta apresentada pelo clube da Luz à FPF para reformular o setor da arbitragem.

“São de saudar as propostas apresentadas pela direção do Benfica à Federação Portuguesa de Futebol em torno da arbitragem nacional. Sempre defendi, publicamente e nas AG do clube, que o Benfica deve ser ‘a’ voz ativa no futebol português perante os problemas que surgem e na definição do seu futuro. Há que discutir modelos de gestão, a urgente reformulação dos quadros competitivos e a avaliação da gestão na arbitragem. Daí ter apresentado várias propostas nos últimos anos como: 1 – criação do regime jurídico próprio para os árbitros, equiparado a jogadores (Lei) e treinadores (CCT), 2 – definir vínculo laboral dos árbitros (dando seguimento ao relatório de 2011 a pedido da SEDJ), 3 – reformular o recrutamento, formação, carreira dos árbitros e respetiva fiscalização, 4 – criar regras deontológicas, incompatibilidades e impedimentos, 5 – publicar avaliações dos árbitros, VAR e relatórios dos observadores, 6 – clarificar nomeações dos árbitros, 7 – VAR: mais transparência e fiscalização dos seus procedimentos, estruturas e comunicações”, pode ler-se, mencionado o árbitro Gustavo Correia.

“A ação direta deste árbitro causou prejuízos desportivos e financeiros (Casa Pia na Luz e em Famalicão) e ainda acusou dirigentes do Benfica, no seu relatório de Famalicão, de o tentarem coagir, o que se provou falso. Um árbitro que mente num relatório oficial, colocando em causa a inocência e o bom nome de representantes do Benfica, não pode ser apoiado, escolhido e promovido. Deve ser punido, responsabilizado e suspenso. A credibilidade de um árbitro não muda por ser internacional. Quem falta à verdade em Portugal, não pode usar a insígnia em jogos europeus. E se este conselho de arbitragem da Federação insiste na sua premiação, cabe ao Benfica estranhar e indagar o porquê, expondo a situação perante a UEFA para a devida fiscalização”, indica.

“Há aspetos muito positivos nas propostas apresentadas pelo Benfica. Só lamento a falta de publicidade aos benfiquistas e aos portugueses”, refere ainda Manteigas.

Eis a publicação na íntegra

“São de saudar as propostas apresentadas pela direção do Benfica à Federação Portuguesa de Futebol em torno da arbitragem nacional. Sempre defendi, publicamente e nas AG’s do Clube, que o Benfica deve ser “a” voz ativa no futebol português perante os problemas que surgem e na definição do seu futuro.

Há que discutir modelos de gestão, a urgente reformulação dos quadros competitivos e a avaliação da gestão na arbitragem. Daí ter apresentado várias propostas nos últimos anos como: 1 – criação do regime jurídico próprio para os árbitros, equiparado a jogadores (Lei) e treinadores (CCT), 2 – definir vínculo laboral dos árbitros (dando seguimento ao relatório de 2011 a pedido da SEDJ), 3 – reformular o recrutamento, formação, carreira dos árbitros e respetiva fiscalização, 4 – criar regras deontológicas, incompatibilidades e impedimentos, 5 – publicar avaliações dos árbitros, VAR e relatórios dos observadores, 6 – clarificar nomeações dos árbitros, 7 – VAR: mais transparência e fiscalização dos seus procedimentos, estruturas e comunicações.

Do pouco que se soube pelos media, há aspetos muito positivos nas propostas apresentadas pelo Benfica. Só lamento a falta de publicidade aos Benfiquistas e aos portugueses. Mas há ainda atenção e trabalho a prestar. Por exemplo: 1 -qual a posição do Sport Lisboa e Benfica sobre os casos que envolveram o Conselho de Arbitragem? Qual o resultado das alegadas reuniões na Federação com os representantes do Benfica? 2. Qual a posição do Benfica sobre a contínua premiação do árbitro Gustavo Correia que na época passada (2025-26) só tinha feito 5 jogos na 1ª Liga até 7-12-2025 (num total de 13) e esta época (2026-27) já leva 5 jogos de 1ª Liga até 19-09-2026?

A ação direta deste árbitro causou prejuízos desportivos e financeiros (Casa Pia na Luz e em Famalicão) e ainda acusou dirigentes do Benfica, no seu relatório de Famalicão, de o tentarem coagir, o que se provou falso. Um árbitro que mente num relatório oficial, colocando em causa a inocência e o bom nome de representantes do Benfica, não pode ser apoiado, escolhido e promovido. Deve ser punido, responsabilizado e suspenso.

A credibilidade de um árbitro não muda por ser internacional. Quem falta à verdade em Portugal, não pode usar a insígnia em jogos europeus. E se este conselho de arbitragem da Federação insiste na sua premiação, cabe ao Benfica estranhar e indagar o porquê, expondo a situação perante a UEFA para a devida fiscalização.

O Benfica fortalecerá se tiver ao seu lado os seus associados devidamente informados sobre a estratégia, posições e objetivos de quem o lidera. Só assim blindará o Benfica a sua enorme riqueza associativa e aquilo que verdadeiramente nos une: o apoio incondicional às nossas equipas, aquelas que todas as semanas entram em campo para vencer e representar a nossa instituição”.

A reforça que o Benfica pretende na arbitragem

A reforma do setor da arbitragem tem sido uma das bandeiras da Direção encarnada, liderada por Rui Costa, nos últimos meses. Nesse sentido, os responsáveis benfiquistas apresentaram, no dia 11 de setembro, um documento com várias sugestões de reformas para a gestão da arbitragem portuguesa, confirmou O JOGO.

O grande destaque entre as propostas submetidas pelas águias vai para uma certa separação de poderes, por assim dizer. O Benfica quer que as atuais responsabilidades do Conselho de Arbitragem – ou seja, a nomeação dos árbitros para os jogos das competições profissionais e a posterior avaliação do desempenho dos juízes – sejam desempenhadas por duas entidades diferentes, sob a égide de uma nova instituição dedicada exclusivamente à gestão da arbitragem.

Esta nova instituição, na visão benfiquista, deve, por sua vez, ser uma entidade autónoma da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), da Liga de Clubes, e dos próprios clubes. Atualmente, o Conselho de Arbitragem, liderado por Luciano Gonçalves, está integrado na FPF. A criação desta nova instituição seria feita mediante concurso internacional, sugerem as águias, com mandatos fixos, desfasados dos ciclos eleitorais dos restantes órgãos que gerem o futebol português.

O Benfica exige, ainda, a profissionalização do setor da arbitragem, incluindo o VAR, e a integração de um sistema de fora de jogo semiautomático. O emblema da Luz defende que os árbitros devem ser recompensados financeiramente por desempenhos de excelência, e, por outro lado, punidos quando ficam aquém das exigências – isto sem esquecer, naturalmente, a progressão na carreira em termos de estatuto.

No final do encontro que ditou a derrota do Benfica (3-1) diante do FC Porto, no Dragão, Rui Costa mostrou o seu desagrado com a atuação da equipa de arbitragem liderada por Miguel Nogueira. “Acho que há uma dualidade tremenda, na qual o Benfica foi muito punido nisso. A quantidade de faltas que o FC Porto faz, além da falta normal e que não é punida com amarelo, vai dando força a uma equipa e tirando a outra. Há uma série de entradas e faltas que têm de ser punidas”, apontou o dirigente encarnado.

FPF inspira-se na Premier League

Do lado da FPF, existe abertura para operar uma reforma no setor, como é possível constatar pela notícia avançada na edição de ontem d’O JOGO. A FPF tem a intenção de implementar um modelo de gestão independente e especializado, inspirado na Premier League, onde a arbitragem é gerida pela PGMOL. O modelo inglês, a principal referência, assenta numa estrutura dedicada exclusivamente à arbitragem das principais competições profissionais, com quadros profissionalizados, especialização funcional e autonomia operacional. As discussões sobre o modelo de funcionamento desta nova entidade terão lugar até ao final da presente temporada, para serem determinadas, em 2027/28, as alterações legislativas necessárias para levar o plano adiante. A implementação operacional está apontada para 2028/29, sendo de esperar que tudo esteja pronto em junho de 2029

Para este efeito, a FPF criou a Entidade de Gestão da Arbitragem Profissional (EGAP), grupo de trabalho responsável por definir o modelo da futura entidade externa que irá gerir a arbitragem do futebol profissional em Portugal.

Refira-se que esta reunião do Benfica com a FPF decorreu antes da apresentação do movimento UNUM que vai apresentar hoje um relatório com 17 medidas destinadas à reforma da arbitragem no futebol português. Os 32 fundadores deste grupo de benfiquistas defende a criação de uma estrutura operacional autónoma para a arbitragem profissional, o fora de jogo semiautomático em todos os estádios da Liga e, entre outras, a profissionalização integral da arbitragem nas competições profissionais.

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