André Villas-Boas, presidente do FC Porto, descartou este sábado que fundos estrangeiros venham a adquirir capital dos dragões no futuro.
Em entrevista ao jornal ECO, que celebrou o seu 10.º aniversário esta semana, Villas-Boas rejeitou esse cenário numa altura em que o Benfica pondera bloquear a entrada do investidor norte-americano Tim Leiweke no capital da SAD através do fundo Entrepreneur Equity Partners.
Recorde-se que em causa estão as participações do empresário noutros clubes europeus, nomeadamente em Itália, onde investiu cerca de 100 milhões de euros no Veneza, tendo também participação nos espanhóis do Bétis. Os representantes de Leiweke que têm acordo para adquirir a participação acionista de José António dos Santos, o Rei dos Frangos, foram já informados pelos encarnados que o artigo 13.º do estatuto do clube lhes permite o direito de bloquear aquisições de participações acima de 2% por parte de investidores considerados como tendo interesses concorrentes.
“Se fundos norte-americanos podem comprar capital do FC Porto no futuro? Não, porque o meu objetivo, enquanto presidente da direção do FC Porto, é manter o FC Porto enquanto clube de associados. Temos muito pouca parte do nosso capital que flutua na bolsa. O FC Porto é detentor de maior parte do seu capital e o resto está espalhado em portistas, e não vejo uma situação como aquela que aconteceu com o Benfica acontecer. Para isso, teria que haver um descalabro financeiro da sustentabilidade económica financeira do FC Porto, que nós conseguimos resolver no imediato”, apontou Villas-Boas.
Noutro tópico, questionado como conseguiu fazer do FC Porto campeão nacional apenas dois anos depois da sua chegada à presidência, e numa conjuntura económica “alarmante”, com apenas oito mil euros de fundos disponíveis, o dirigente explicou.
“[Os oito mil euros] Não é que se dizia, não! Foi o que eu constatei. Infelizmente não é o que se dizia! O FC Porto, sobretudo numa primeira fase, apoiou-se em sócios, que emprestaram capital imediato para resolvermos dívida a curto prazo. Nós tínhamos 15 milhões de euros para pagar até ao final de maio, quando eu tomei posse, e a situação era alarmante. Fomos suportados por sócios do FFC Porto, que foram muito generosos, e depois fizemos a reestruturação da dívida do FC Porto sustentada num projeto a longo prazo, relacionado com o ticketing, os revenues comerciais do FC Porto, que nos permitiram levantar cerca de 180 milhões em dívida americana e permitiram ao FC Porto sobreviver, no fundo, e mandar os seus problemas mais prementes a 25 anos, permitindo a sua sustentabilidade financeira”, detalhou.