X

Marido pede perdão para a mulher que matou os três filhos

Não há dúvidas sobre a autoria do crime insano que roubou a vida a três criança, uma delas bebé, em Duxbury, no estado norte-americano de Massachusetts. Lindsay Clancy, enfermeira de 36 anos, levou os filhos para a cave da vivenda da família, situada num bairro tranquilo de classe média-alta, e estrangulou-as. Cora, de cinco anos, e Dawson, de três, morreram ali.

Callan, de oito meses, morreu dias mais tarde, no hospital. Lindsay assumiu os crimes, mas declarou-se inocente das acusações de homicídio, alegando insanidade mental. Em circunstâncias normais, Lindsay seria condenada a prisão perpétua, uma vez que o Massachusetts aboliu a pena de morte, mas a sentença poderá ser diferente. O julgamento chegou ao fim.

Tanto a defesa como a acusação, concordam que sofria de ansiedade e insónia crónica. Mas há uma divergência profunda, que será decisiva na sentença que vier a ser proferida em breve: se a acusação admite que Lindsay sofria de depressão pós-parto, a defesa entende que era vítima de psicose pós-parto. Por outra palavras, a acusação entende que, apesar de Lindsay ter problemas o foro psiquiátrico tinha consciência dos seus atos; a defesa alega o contrário. Entende que perdera completamente o contacto com a realidade.

A provar-se esta teoria, Lindsay seria internada por tempo indeterminado num hospital psiquiátrico de alta segurança. O seu estado de saúde seria avaliado periodicamente, com possibilidade de regressar à liberdade, logo que uma junta médica e um juiz entendessem que não representaria qualquer perigo para a comunidade.

A América está dividida. Uns entendem que o estado falhou nos cuidados que deveriam ter sido prestados a Lindsay; outros recusam a usar a doença mental como fator atenuante.
Foi o marido de Linsday, Patrick Clancy, que descobriu os corpos nas crianças, a 24 de janeiro de 2023. Tinha saído para ir à farmácia comprar medicamentos para a mulher. Lindsay tomava diariamente vários fármacos para a depressão.

Os primeiros sintomas começaram com o nascimento de Cora, mantiveram-se após o nascimento de Dawson e agravaram-se, em 2022, com o nascimento do terceiro filho, Callan.

Patrick não demorou muito. Depois da farmácia, foi ao restaurante buscar o jantar (nuggets de frango, como tinha pedido a mulher), e regressou. No total, ausentou-se pouco mais de uma hora, tendo contactado Lindsay, por telefone, durante esse período. Ao chegar a casa, estranhou o “silêncio invulgar”.

Ao ver sangue, ficou alarmado. Correu para o quarto do casal, a porta estava trancada, mas dava para ver a janela aberta. Voltou a sair de casa, temendo o pior. Encontrou a mulher deitada de costas e a sangrar no quintal. “Tentei matar-me e depois saltei da janela”, disse-lhe.

Ligou de imediato para o 112, enquanto lhe perguntava pelos filhos. “Estão na cave”. Correu para a cave. Os polícias e equipas de socorro ouviram gritos e correram também. Souberam da tragédia mesmo antes de a ver diante dos olhos, pela voz do desespero, que se ouvia cá fora: “Ela matou os miúdos”.

Patrick admitiu, no julgamento, que Lindsay não andava bem. Explicou, ao longo dos dois dias de testemunho, que o casal tentou tudo, junto dos melhores especialistas. Garantiu que os medicamentos não pareciam funcionar e que chegou a apoiar o seu internamento psiquiátrico voluntário pouco antes da tragédia.

“Lindsay era uma mãe incrível, profundamente carinhosa e dedicada”, disse ainda, num depoimento emotivo, onde apelou ao perdão. “Quero pedir a todos que procurem no mais profundo de vós a capacidade de perdoar a Lindsay, tal como eu a perdoei”.

Para esta quinta-feira estão previstas as alegações finais. Na sexta, o júri reúne-se, à porta fechada e pelo tempo que for necessário, para tomar uma decisão, que terá de ser unânime.

Njoro:

Este site utiliza cookies

Saiba mais