Paulo Fonseca surpreende a todos durante apresentação no Sporting

Oficial! Paulo Fonseca é o novo treinador do Sporting e assinou um contrato válido até 2030. O sucessor de Rui Borges foi apresentado esta quarta-feira por Frederico Varandas e, nas suas primeiras palavras como técnico dos leões, afirmou que este é um concretizar de um sonho, deixando vários elogios ao plantel.
“Boa noite a todos. Em primeiro lugar, agradecer ao presidente e à estrutura pela confiança depositada em mim, na minha equipa técnica e no meu trabalho. Regresso a Portugal 10 anos depois. Após passar por grandes equipas, diferentes campeonatos… Como o Presidente disse, tive sempre a preocupação de estar no top’5, e nos últimos sete anos estive no top’5 na Europa. E isso deveu-se à minha preocupação com o meu crescimento. A verdade é que tive sempre em mente continuar nos melhores campeonatos, a defrontar os melhores treinadores, jogadores, por forma a chegar hoje aqui melhor preparado. E a verdade, confesso, é que acho que estou no momento certo de ser treinador do Sporting. É o momento em que me sinto melhor preparado para enfrentar este desafio”.
“Sou profissional, mas não posso deixar de dizer que este clube sempre foi especial para mim. Sou adepto desde criança. Cresci a vibrar com o Jordão, o Manuel Fernandes, depois com o Carlos Xavier, Litos, Mário Jorge, Balakov, Douglas… E obviamente que isso pesou imenso no momento em que o presidente me endereçou o convite. Há sonhos que se tornam realidade. E o meu sonho tornou-se realidade. Estou no clube do meu coração”.
“Depois, uma coisa que me atraiu e motivou bastante é a qualidade deste jovem plantel. Estou extremamente motivado para trabalhar com jovens de qualidade em quem acredito imenso. Tenho a certeza de que vamos construir coisas especiais para o Sporting todos juntos. Estou plenamente consciente que é um momento importante para o Sporting. Aquilo que posso dizer é que estou extremamente empenhado e motivado em representar este enorme clube, com uma enorme história, onde os nossos adeptos revelam uma paixão única.
Num clube diferente. Sim, o Sporting é um clube diferente. Tenho a noção de que tenho uma tarefa que é extremamente motivadora. Construir uma equipa que jogue um futebol que orgulhe todos os sportinguistas. Sou um adepto do bom futebol e aquilo que prometo é grande dedicação, muito trabalho. Para sempre que os sportinguistas observem a nossa equipa se sintam orgulhosos. E com a consciência de que fizemos sempre tudo para ganhar. Por último, deixar uma palavra de apreço e grande admiração ao mister Rui Borges e ao seu trabalho efetuado aqui no Sporting”.
Paulo Fonseca passa às perguntas dos jornalistas
É um grande desafio? Depois de Zorro e Peaky Blinders, qual será o estilo?
“Como disse, estou consciente do momento [do clube]. A minha preocupação neste momento é conhecer a fundo os jogadores. Uma coisa é o que vemos, outra é trabalhar diariamente com eles. E grande preocupação em progredir a equipa, melhorar. Obviamente com as minhas ideias. E não estou a dizer que são melhores ou piores do que as do mister Rui Borges, são diferentes. Estou totalmente empenhado em fazer perceber aos jogadores aquilo que quero que eles executem. Acredito que isso vai levar-nos a ser uma equipa mais forte. E que possa entrar em todos os jogos com um único objetivo: vencer”
Porque considera este o momento certo para assumir o Sporting?
“Primeiro, é difícil dizer que não quando temos a possibilidade de concretizar um sonho. E eu senti, como já disse, que este era o momento ideal. É o momento em que me sinto mais preparado para estar à altura das exigências de um clube como o Sporting. Naturalmente, as pessoas em Portugal recordam-se muito daquilo que foi o meu trajeto cá. Saí para o estrangeiro com a clara ambição de progredir e evoluir.
Tive a preocupação de estar nos melhores campeonatos, embora, e confesso, tenha tido muitos convites para a Arábia, para o Brasil… Mas o meu objetivo sempre foi continuar no top’5 para me preparar para este momento. E a verdade é que, naturalmente, sei que nem toda a gente acompanha os campeonatos lá fora. Provavelmente, as pessoas não conhecem o Paulo Fonseca de hoje.
Conhecem o que esteve há 10 anos em Portugal. E este é diferente, penso eu para melhor. Em função das minhas vivências, da forma como me preparei para este momento”
Consegue tirar o melhor deste plantel?
“Se não acreditasse, não estava aqui. E uma das coisas que me motivou foi a qualidade jovem deste plantel. Acho que temos um futuro brilhante pela frente.
Vai exigir muita dedicação, mas acredito plenamente no plantel. Hoje já tive a oportunidade de realizar o primeiro treino. E se já estava entusiasmado, hoje fiquei muito mais. Acredito plenamente que vamos ser mais fortes. Muitos deles são jovens, há muitos que estão pela primeira vez em Portugal… E esta mudança não é fácil. Vêm de outros contextos. Mas o tempo vai demonstrar que as escolhas foram acertadas e que este plantel dá garantias para o futuro do nosso clube”
Ano zero? Vai trazer alguém de fora? Capitães?
“Vou começar pela última. Naturalmente, sou um treinador que acredita que os líderes devem ser referências nos plantéis. E eu acho que preciso de tempo para perceber e conhecer os jogadores para decidir, em função desse conhecimento, se há essa necessidade ou não. Trazer alguém de fora? Não, a equipa técnica está constituída neste momento e vamos avançar todos juntos. Ano zero? A exigência no Sporting é sempre máxima. São 9 pontos, mas acredito que no futebol não há impossíveis. Mas devo dizer que estou muito mais focado no processo, na evolução da equipa e nas respostas às nossas ideias e propostas. E dizer também que o tempo não é muito. O tempo para treinar, preparar… Vamos tentar preparar da melhor forma a equipa, para sermos muito ambiciosos no próximo sábado”
O que mais mudou em Paulo Fonseca nestes anos?
“As vivências fazem-nos evoluir. O jogo também mudou muito. Nos últimos anos, houve grandes transformações no jogo em si. Eu passei por campeonatos que me obrigaram a mudar um pouco a minha visão do que é o jogo, do que é o treino. E, por isso, devido às diferentes experiências nos diferentes campeonatos e contextos, senti que nesse nível mudei imenso. A nível pessoal… Hoje tenho mais dois filhos do que na altura, já tenho quatro. E isso também nos obriga a ter mais responsabilidade. O tempo também nos muda, a idade… Nós amadurecemos. E estamos mais abertos a aprender, a ouvir, a observar. Quando começamos as nossas carreiras achamos que sabemos tudo. E a verdade é que um treinador é um processo inacabado. Temos de ter a preocupação de estar em constante atualização e evolução.
Sistema de 3 centrais?
“Há tanto a dizer sobre isso… Fala-se muito em sistemas, mas acredito mais em estruturas. E as equipas hoje apresentam uma flexibilidade que é exigida. Para mim, neste momento, não estou muito preocupado com a estrutura. Até porque isso muda em função do momento do jogo, do espaço… Estou mais preocupado com outras coisas. Com o ensinamento dos nossos princípios de jogo. E é nisso que me vou focar. Mas não acho que possa, neste momento, ser uma opção dar continuidade àquilo que foi o último jogo. Não sou naturalmente um grande adepto da linha a cinco. Mas, em determinados momentos do jogo, posso tê-la. Com diferentes jogadores…”
Falou com Rui Borges?
“Já sei o que vai perguntar. Claro que houve um telefonema. Foi na altura em que começaram a sair essas notícias de que o Rui tinha recusado o meu telefonema. Ontem tive o prazer de falar com ele. Uma conversa muito aberta e honesta, entre dois treinadores que entendem, sem qualquer tipo de hipocrisia, estes momentos. E a verdade é que estive bastante tempo à conversa com o Rui. Uma conversa super agradável, de respeito, grande admiração – como já confessei noutras alturas. Não falei só com o Rui, falei com o Tiago, adjunto dele e que já conheço há muito tempo. Repare: às vezes, criam-se problemas onde as coisas são perfeitamente normais. Até lhe posso contar uma história. Eu estava no Milan e estava a disputar um jogo com a Roma, e o treinador que me veio suceder já estava contratado. Tive de tirar as minhas coisas à pressa no dia a seguir porque o novo treinador queria entrar. E a verdade é que não recebi nenhum telefonema a seguir a isso… Mas acreditem que nem tinha de o fazer. As coisas são assim. Eu não levei a mal. As coisas são assim. E nós devemos, sem qualquer tipo de hipocrisia, perceber que este tipo de processos é assim. É natural”.



