Rui Borges continua a ser comparado a Ruben Amorim, mas Vítor Pinto considera que o atual treinador do Sporting deve afastar-se dessa ideia e construir o próprio percurso. O subdiretor do jornal Record destacou sobretudo a forma como o técnico se conseguiu impor num balneário que encontrou fragilizado.
No programa ‘Record na Hora’, do Now, Vítor Pinto começou mesmo por ironizar com a comparação: “Há várias coisas que Rui Borges pode fazer. Ele já tem ali umas tatuagens nos braços, agora pode deixar crescer uma barba à Ruben Amorim, com algumas intervenções estéticas arranjar maneira de ficar com um visual mais apelativo ao estilo Ruben Amorim, porque é muito essa comparação que se faz”.
Depois, o responsável do jornal passou para uma análise mais séria ao perfil do treinador do Sporting. “Agora falando um bocadinho mais a sério, a personalidade e a postura do treinador, é um tipo de posicionamento diferente e de discurso diferente, mas Rui Borges também é um treinador com ideias e ousado, até na sua vida. Também é um bocadinho fora da caixa”.
Vítor Pinto entende que Rui Borges não tem o mesmo carisma público de Ruben Amorim, mas compensa essa diferença noutras áreas. “Mesmo com este visual mais arrojado de Rui Borges, a personalidade dele já todos conhecemos, já está no Sporting há tempo suficiente e há duas vertentes no seu posicionamento: o exterior, onde de facto ele não tem aquela capacidade hipnótica de mobilização de massas que os treinadores com aquele carisma muito vincado conseguem a dada altura”.
Ainda assim, o comentador destacou aquilo que considera ser uma das grandes qualidades do técnico leonino. “Lá em Mirandela, não o ensinaram a tocar flauta. Mas o que é que ele tem? Tem uma capacidade surpreendente de lidar com o balneário de um Clube grande como o Sporting desde o primeiro momento, que o Sporting tinha o balneário em cacos”.
Essa adaptação ao contexto de Alvalade mereceu fortes elogios. “Isso é extraordinário para um treinador que não passou por nenhum grande clube como jogador, não tinha uma grande carreira de seleção, vinha de baixo e construiu a carreira a pulso. A forma como conseguiu impor-se no Sporting, para mim, é extraordinária”.
A comparação com Ruben Amorim, no entanto, deve ficar de lado. “Como é que Rui Borges conseguiria ser igual a Ruben Amorim? Não conseguia. Rui Borges tem de seguir o seu próprio caminho, porque se tentar ser um Ruben Amorim de contrafação, ou outro tipo de treinador de relevo de contrafação, vai dar-se mal”, concluiu.