CDS quer pedido de desculpa e André Ventura reage

Semanas após o ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, ter anunciado que iria processar o presidente do Chega, André Ventura, e o deputado Pedro Frazão por acusações relacionadas com o processo de aquisição de três fragatas, o CDS-PP veio exigir “um pedido de desculpas” pelas declarações “manifestamente infundadas”. No entanto, Ventura foi taxativo: “Pedir desculpa? Era o que faltava”.
Em declarações à agência Lusa, o deputado centrista João Almeida defendeu que “tem de existir ética e dignidade na relação entre partidos e entre políticos” e acusou o Chega de ter lançado suspeitas sobre o ministro da Defesa e o próprio CDS-PP de “negociatas” e “eventuais desvios de dinheiro” na compra das fragatas a Itália.
“Aquilo que o CDS entende ao abrigo dessa ética e dessa dignidade que tem de existir na relação entre políticos e entre partidos, é um pedido de desculpas por parte do Chega por ter feito acusações que são manifestamente infundadas”, exigiu.
Na sequência de uma notícia do 24Horas sobre o alegado afastamento à última hora de uma empresa portuguesa (NTGroup) como intermediária da compra das fragatas, o Chega partilhou nas suas redes sociais um vídeo do seu líder, André Ventura, a defender uma investigação sobre o destino de “várias dezenas de milhões” de euros que, segundo disse, deviam ter sido usados para pagar comissões.
O deputado Pedro Frazão, num vídeo publicado nas redes sociais, reagiu à notícia falando de “mais um escândalo” do Governo e de um negócio associado a “sérias dúvidas de honestidade e de integridade”.
Já na quinta-feira, em comunicado, a NTGroup assegurou que não integrou a “equipa formal de negociação intergovernamental”, nem participou nas reuniões finais para aquisição de três fragatas por Portugal a Itália, frisando que não reclama qualquer pagamento ao Estado português.
Para João Almeida, o comunicado da NTGroup vem “desmentir absolutamente todas as acusações feitas pelo Chega” e um não pedido de desculpas por parte do partido de André Ventura resultará numa “perda de credibilidade absoluta por parte do Chega e da sua ação política”.
“Fica-se a saber que o Chega, mesmo mentindo, não tem a dignidade de reconhecer que faltou a essa verdade quando é desmentido pelos factos”, considerou o deputado.
No entanto, o presidente do Chega recusou pedir desculpas ao CDS-PP e ao ministro Nuno Melo, considerando que o seu trabalho é escrutinar onde se gasta o dinheiro público.
“Pedir desculpa? Era o que faltava”, disse, após ter sido questionado sobre as declarações do deputado João Almeida, em conferência de imprensa, em Lisboa.
“É o meu trabalho fazer perguntas e exigir escrutínio e saber onde é que o dinheiro público está a ser gasto”, defendeu.
Para André Ventura quando se está a falar de um negócio de 3,9 mil milhões de euros e de “um dos maiores negócios de sempre” da área de defesa em Portugal, “era o que faltava um líder da oposição pedir desculpa por fazer perguntas”.
“Eu devia ter de pedir desculpa era se não fizesse as perguntas. Se eu me calasse é que eu tinha que pedir desculpa a quem votou no Chega”, defendeu.



