Internacional

Miguel Sousa Tavares ataca Passos Coelho

Miguel Sousa Tavares não ficou indiferente às mais recentes declarações públicas de Pedro Passos Coelho. No podcast “Viva Voz”, o comentador fez uma análise dura ao antigo primeiro-ministro e considerou que a forma como se tem pronunciado abalou a imagem mais reservada que vinha mantendo.

Logo no início da sua intervenção, o jornalista mostrou-se surpreendido com o tom usado por Passos Coelho. “Eu acho que para usar uma expressão de uma pessoa que dizia no outro dia, ele passou-se, o Pedro Passos Coelho passou-se, pura e simplesmente”, afirmou.

A escolha de palavras do antigo líder social-democrata foi um dos pontos mais criticados por Miguel Sousa Tavares. Em causa estão declarações em que Passos Coelho comparou políticos “postiços” a “prostitutos sem caráter”, numa intervenção em que falava de figuras que, na sua leitura, ficam “vendidas ao aplauso” do momento.

“Ouvirmos um político que foi Primeiro-Ministro, a chamar prostitutos aos outros, ainda por cima do seu próprio partido, é uma coisa que não se espera”, declarou Miguel Sousa Tavares.

Mas, para o comentador, a questão vai além da linguagem. Miguel Sousa Tavares mostrou-se especialmente crítico da forma como Pedro Passos Coelho se apresenta como uma figura reformista.

“Mais do que a linguagem desbragada de Pedro Passos Coelho, a mim o que me incomoda é vê-lo apresentar-se como o grande reformista e o grande heraldo das reformas”, apontou, antes de deixar uma pergunta direta: “Que reformas fez Pedro Passos Coelho quando foi Primeiro-Ministro?”

Na sua análise, a crise económica e a intervenção da Troika não justificam a ausência de reformas estruturais. Pelo contrário, Miguel Sousa Tavares defendeu que esse teria sido precisamente o momento para perceber as razões que levaram Portugal à falência e avançar com mudanças.

O comentador também rejeitou a ideia de que exista um desejo generalizado pelo regresso de Passos Coelho à política ativa. “Pedro Passos Coelho está convencido que o País tem saudades dele, não tem, não tem”, afirmou, considerando que o antigo governante está a fazer uma leitura errada do país.

Na reta final da análise, Miguel Sousa Tavares defendeu que Passos Coelho perdeu a imagem de “sábio na reserva” que, na sua perspetiva, tinha conseguido construir ao longo dos anos. Para o comentador, o antigo primeiro-ministro deixou de surgir como uma figura distante da disputa política diária e passou a intervir de forma descontrolada.

“Neste momento é uma pessoa que não se controla, que fala a propósito e a despropósito, que diz a primeira coisa que lhe vem à cabeça”, afirmou.

Miguel Sousa Tavares apontou ainda uma contradição no discurso de Passos Coelho sobre a necessidade de o PSD avançar com reformas para travar o populismo do Chega. Na leitura do comentador, essa posição não combina com a proximidade que ficou evidente quando André Ventura esteve na primeira fila a aplaudir uma intervenção do antigo primeiro-ministro.

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