Sérgio Conceição fala se algum dia ia treinar o Benfica

Decisão de voltar a falar: “Vários motivos. Ou seja, a minha saída não foi fácil, a todos os níveis. Uma ligação de sete anos como treinador, o fim de um ciclo de alguém que me marcou muitíssimo que foi Jorge Nuno Pinto a Costa. E acho que tinha de ser esta a altura.”
O Al Ittihad: “Cheguei depois de um ano positivo e o que me foi transmitido, em termos de resultados… sabia-se de alguns problemas na estrutura.”
Sai frustrado do Al Itithad? “Saio com uma experiência muito diferente. Estamos a falar. O que eu queria era uma coisa, o fazer é diferente. Não estão habituados a treinar durante o dia. Se tivéssemos mais de um treino por dia era difícil respeitarem horários, aparecerem no treino.”
O Milan: “Com o que se tem passado, veio demonstrar que a época, os seis meses que estive no Milan, foram interessantes.”
O que diria ao seu pai agora? “É uma pergunta difícil. Obviamente que abraçava e agradecia. Os sacrifícios foram muitos ao longo da nossa vida. Estive 16 anos com ele e com a minha mãe 18. Foram ensinamentos fantásticos. Mesmos nos silêncios dele, ele ensinava Mesmo quando era difícil dizer alguma coisa depois de um dia de trabalho, ele ensinava esse compromisso com a família. Trabalhei com ele? Sim, nas férias da escola. Tenho cinco filhos, graças a Deus todos bem formados. Respeito, gratidão, humildade, são valores intrínsecos que fazem parte de mim, do meu crescimento, do que fui vivendo. Foi um trajeto difícil, muito difícil. Não ligava ao futebol. Hoje é quase o oposto, os pais quase obrigam os filhos a ir para o futebol. Queria que acabasse os estudos. Acompanhava-me aos jogos. Não elogiava, não me lembro de dizer ‘gosto muito de ti’. Mas demonstrava de outra forma.”
Onde foi buscar essa força? “Foi isso. Cheguei ao FC Porto e fiquei no lar com alguns jogadores africanos, de outros países, de outras cidades de Portugal. A minha mãe estava doente na altura. Eu ia a Coimbra sempre que podia dar algum dinheiro para ajudar. Não foi fácil. O meu pai foi comigo assinar contrato e dois depois faleceu. Via o futebol como algo que me podia dar satisfação enorme. Valeu a pena. Lutei muito. Cada título, os meus pais estão presentes. Falei sempre neles. Penso neles, no meu irmão, em algumas pessoas que estão vivas. Ao dinheiro dou importância, permite ter vida mais facilitada, ajuda a ter alguns dos prazeres da vida mundana, mas não é algo que eu valorize muitíssimo É importante para ter uma boa vida. Mas o prazer de ganhar títulos, de ter sucesso…”
Não teve o melhor carro do parque: “Houve cuidado nessa gestão. Estou tranquilo a esse nível. O que mais me preocupa em termos de trajeto e percurso é o próximo projeto. ”
Treinaria o Benfica? “Muito difícil. Perante o que é o meu passado em Portugal, é difícil. Não posso dizer nunca, sou um profissional de futebol. Mas neste momento sinto que é difícil treinar outro clube em Portugal.”
Vieira contactou? “Não me fica bem estar a envolver outras pessoas. Não vou desmentir que houve interesse, em que se fosse eleito ir falar comigo. Mas não se avançou de uma simples conversa informal para mais nada.”



